O Wi-Fi gratuito disponível em praças de alimentação, shoppings, restaurantes e outros locais movimentados pode parecer uma solução conveniente para quem está sem internet no celular. No entanto, redes públicas e abertas também podem ser usadas por criminosos para capturar dados pessoais, informações bancárias e até credenciais de redes sociais.
O risco pode começar com uma simples conexão. Uma estudante que precisava pagar a inscrição de um evento acadêmico passou por essa situação. Sem acesso à internet móvel, ela conectou o celular ao Wi-Fi gratuito de uma praça de alimentação e abriu o aplicativo do banco. A operação parecia ter sido concluída normalmente, mas o dinheiro foi desviado e a inscrição não foi paga.
O caso é um exemplo de como redes públicas podem ser exploradas por cibercriminosos para aplicar golpes e obter informações dos usuários.
Em locais movimentados, é comum encontrar diversas redes Wi-Fi abertas. Para quem está sem internet, a alternativa pode parecer inofensiva.
“Quando eu tô sem internet, eu me conecto. Me sinto seguro”, relatou um estudante.
Outro estudante afirmou que utilizaria uma rede aberta até mesmo para realizar operações sensíveis. “Se precisar fazer uma ligação via WhatsApp, um pagamento, uma transação, algo assim, mandar uma mensagem, eu usaria sim”, disse.
Mas também há quem reconheça os riscos. “Porque a gente não sabe de onde vem a rede. Hoje em dia tem facilidade de, em muitos lugares, ter o roubo de dados da gente. Então, a gente pode ser hackeado com os nossos dados bancários, as nossas privacidades das redes sociais”, pontuou outra estudante.
Golpe pode começar no momento da conexão
Segundo o perito digital Rames Lopes, o perigo pode surgir antes mesmo de uma tentativa de acesso à conta bancária. Algumas redes falsas solicitam informações pessoais ou pedem que o usuário faça uma autenticação utilizando login e senha de redes sociais.
“A captura geralmente acontece quando o Wi-Fi tenta fornecer os dados e pede para a pessoa colocar dados ou informações de redes sociais”, explicou.
O especialista alerta que, em uma rede sem a devida proteção, informações inseridas pelo usuário podem ficar vulneráveis e ser capturadas por criminosos. A partir daí, os dados podem ser utilizados para tentar acessar outras contas e aplicar novos golpes.
Um dos golpes utilizados por criminosos é conhecido como “rede gêmea”. Nesse tipo de fraude, o criminoso cria um ponto de acesso falso com nome semelhante ou idêntico ao de uma rede legítima de um shopping, loja, restaurante ou outro estabelecimento.
A estratégia busca fazer com que o usuário se conecte sem perceber que está em uma rede controlada por terceiros.
Por isso, especialistas recomendam atenção ao nome da rede, especialmente quando existem opções duplicadas ou com erros de digitação.
Evite operações bancárias no Wi-Fi público
A principal recomendação é não utilizar redes Wi-Fi públicas e abertas para acessar aplicativos bancários, carteiras digitais ou realizar compras e transferências.
Também é importante evitar inserir senhas e dados pessoais em páginas que aparecem imediatamente após a conexão com uma rede desconhecida.
Outra orientação é manter o celular protegido e considerar a instalação de ferramentas de segurança, como antivírus, além de manter o sistema operacional e os aplicativos atualizados.
A regra mais simples para proteger o dinheiro e os dados é evitar operações financeiras quando estiver conectado a uma rede pública. Na hora de pagar boletos, fazer transferências ou acessar o aplicativo do banco, desligue o Wi-Fi e dê preferência à internet móvel da operadora.
