Uso excessivo de telas aumenta casos de miopia em crianças; especialista defende mais brincadeiras ao ar livre

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O aumento dos casos de miopia entre crianças e adolescentes tem preocupado especialistas. O principal fator apontado para esse avanço é o estilo de vida cada vez mais ligado às telas, com uso prolongado de celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos, aliado ao pouco tempo em ambientes externos.

Para tentar proteger a visão da filha, a pedagoga Larissa Pontes adotou uma regra rígida em casa: Maria Helena, de apenas 4 anos, não usa celular.

“Então, a gente sempre busca trazer as meninas aqui para brincar ao ar livre, a gente oportuniza momentos de leitura, de escrita… A Maria Helena tem 4 anos e ela não usa meu celular, nem o do pai dela”, afirma.

Segundo Larissa, a decisão vai na contramão de uma realidade cada vez mais comum entre as famílias. “Hoje, nós percebemos crianças de 7, 8 anos, todas têm celular. Uma criança de 8 anos não trabalha, não vai comprar um celular se o pai não der”, completa.

A preocupação tem respaldo científico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 25% da população mundial era míope em 2010. A projeção é que, até 2050, esse percentual alcance 50% da população, o equivalente a aproximadamente 5 bilhões de pessoas com necessidade de correção visual.

O oftalmologista Mário Rezende explica que o problema não está apenas no uso dos aparelhos eletrônicos, mas também na forma como eles são utilizados. A curta distância entre os olhos e as telas, somada ao excesso de tempo em ambientes fechados, favorece a progressão da miopia.

“Nos casos de miopia elevada, existe maior risco para doenças graves, como descolamento de retina, glaucoma, catarata precoce e alterações da mácula, que podem comprometer permanentemente a visão. Por isso, diagnosticar cedo e acompanhar regularmente faz toda a diferença”, alerta.

Como forma de prevenção, o especialista recomenda que crianças e adolescentes passem pelo menos duas horas por dia ao ar livre, reduzam o tempo de exposição às telas, façam pausas durante atividades de leitura e estudo e mantenham uma distância adequada dos livros e dispositivos eletrônicos.

Na casa de Larissa, os cuidados já fazem parte da rotina e foram assimilados pela pequena Maria Helena. Ao ser questionada sobre o motivo de não usar celular, ela responde com simplicidade:

“Porque meu pai e mamãe não deixa… porque faz mal para a saúde.”

Para os especialistas, hábitos saudáveis na infância são fundamentais para preservar a saúde ocular e reduzir os riscos de problemas graves de visão ao longo da vida.

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