Estatístico e professor Carlos Henrique levanta suspeitas sobre pesquisa da AtlasIntel que favoreceu Eduardo Braide e gera onda de questionamentos no Maranhão.

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Pesquisa da AtlasIntel passa a ser alvo de graves suspeitas sobre possível distorção estatística, baixa representatividade e eventual manipulação de dados eleitorais no Maranhão.

 

Por: Redação Lestenews.

A pesquisa eleitoral divulgada pelo instituto AtlasIntel, realizada entre os dias 08 e 13 de maio de 2026, passou a ser alvo de fortes questionamentos por parte da opinião pública maranhense após a divulgação dos números que apontaram vantagem do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide, na disputa pelo Governo do Maranhão.

Segundo os dados apresentados pelo próprio instituto, apenas 1.180 pessoas responderam ao questionário aplicado em todo o estado do Maranhão. O número chamou atenção principalmente pelo fato de o Maranhão possuir atualmente cerca de 5.180.738 eleitores aptos a votar, o que coloca o numero de entrevistados de apenas 0,03% do total do eleitorado maranhense participou do levantamento.

Para o estatístico e presidente do Instituto Aferrir, em Brasília-DF, professor Carlos Henrique, os números apresentados podem não atender aos critérios mínimos recomendados para pesquisas de grande alcance populacional, principalmente diante da baixa distribuição amostral em diversos municípios do estado.

Especialistas em estatística eleitoral costumam utilizar parâmetros metodológicos recomendados pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) e também critérios técnicos observados pelo IBGE e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para garantir equilíbrio amostral, proporcionalidade regional e confiabilidade estatística em levantamentos de opinião pública.

Um dos pontos que mais geraram estranheza foi a distribuição considerada extremamente reduzida de entrevistados em cidades importantes do Maranhão. Em Timon, por exemplo, município com mais de 100 mil eleitores, os dados divulgados pela própria AtlasIntel apontam que apenas 12 pessoas teriam sido entrevistadas.

Em Imperatriz, segunda maior cidade do Maranhão, o número também foi considerado baixo diante do tamanho da população eleitoral. Segundo o relatório, foram registrados apenas 50 entrevistados entre zona urbana e rural.

Já em municípios como Parnarama, os números chegam a ser ainda menores, com apenas dois entrevistados registrados no relatório oficial da pesquisa.

A divergência na distribuição regional dos entrevistados, somada ao número considerado muito reduzido de participantes em diversos municípios estratégicos do Maranhão, passou a alimentar suspeitas sobre uma possível manipulação estatística dos dados apresentados pelo instituto.

    

Outro ponto que também passou a chamar atenção foi o custo declarado da pesquisa, estimado em aproximadamente R$ 75 mil, sem identificação clara do contratante e sem apresentação pública de documentos fiscais relacionados ao faturamento dos serviços.

Nos bastidores políticos e nas redes sociais, a opinião pública segue sem compreender como um instituto com sede em São Paulo teria realizado uma pesquisa eleitoral em praticamente todo o território maranhense com despesas operacionais elevadas, sem que houvesse transparência suficiente sobre quem teria financiado o levantamento.

Apesar das críticas e questionamentos levantados após a divulgação do estudo, a pesquisa permanece registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral sob os números MA-09846/2026 e BR-07192/2026.