Dia Nacional do Bumba Meu Boi é marcado pelo tradicional Encontro de São Marçal no bairro do João Paulo.
O festejo de São Marçal toma conta da Avenida São Marçal, no bairro do João Paulo, e reúne milhares de brincantes e participantes para o tradicional encontro dos batalhões de bumba meu boi, marcando também as comemorações do Dia Nacional do Bumba Meu Boi, nesta terça-feira (30).
Em sua 99ª edição, a expectativa é que pelo menos 30 grupos de sotaque de matraca também conhecido como “sotaque da Ilha” passem em cortejo pela via ao longo de todo o dia, entoando toadas e homenageando o santo.
Historicamente, a celebração simbolizava o encerramento do ciclo junino em São Luís. No entanto, com a popularização dos “arraiás fora de época” em julho e as cerimônias de morte do boi que se estendem pelas semanas seguintes, o festejo hoje marca o fechamento de uma etapa e o início de uma nova temporada no calendário cultural.
Embora não seja canonizado oficialmente pela Igreja Católica, São Marçal é abraçado pela devoção popular como o grande protetor dos brincantes do bumba meu boi. Mais do que uma festa religiosa e folclórica, o encontro carrega em suas raízes um forte componente de resistência social contra o racismo e a segregação do passado.
Segundo mestres da cultura e pesquisadores, o evento nasceu a partir de uma proibição imposta pelas autoridades policiais da época. Sob o pretexto de “manter a segurança, a ordem e a tranquilidade”, os grupos de bumba meu boi, formados majoritariamente por pessoas negras e de classes populares, eram impedidos de acessar o Centro de São Luís.
Barrados nos limites do antigo bairro do Areal, na região do bairro do João Paulo, os boieiros transformaram a área de exclusão em seu principal ponto de encontro. O que era fruto da discriminação da sociedade de elite transformou-se, quase um século depois, no maior símbolo de resistência e orgulho da identidade cultural do Maranhão.
Com informações da Agência Brasil


