Categoria pede cuidadores para alunos neurodivergentes e o cumprimento do terço de hora-atividade.
Concentração de professores e manifestantes em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Educação (Semed)
Na manhã desta quarta-feira (8), professores da rede pública municipal de São Luís realizaram uma manifestação em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), localizado no bairro do São Francisco.
O ato, mobilizado pelo Sindicato dos Profissionais do Ensino Público Municipal (Sindeducação), denuncia falhas na infraestrutura das escolas e cobra o cumprimento de direitos trabalhistas assegurados por lei.
A principal queixa da categoria envolve lacunas graves na política de educação especial e inclusiva da capital. Segundo a presidente do Sindeducação, Sheila Bordalo, a prefeitura tem efetuado a matrícula de estudantes neurodivergentes, mas não oferece o suporte técnico adequado nas unidades de ensino.
“A Semed está garantindo a matrícula dos estudantes, mas não temos as condições de cuidador, de tutor, para que realmente aconteça a aprendizagem. A inclusão acaba não acontecendo e se resume à presença da criança dentro da sala de aula“, afirmou a presidente da entidade.
Principais reivindicações do movimento:
As principais reivindicações feita pelos protestantes estão na necessidade imediata da contratação e direcionamento de profissionais de apoio (cuidadores e tutores) para viabilizar a verdadeira inclusão de alunos com deficiência e garantir o cumprimento de um terço da jornada de trabalho para planejamento, um direito previsto na Lei do Magistério e na Lei do Piso.
Os professores ressaltam que esse tempo é indispensável para corrigir provas, elaborar aulas e organizar os conteúdos didáticos com qualidade, atividades que hoje invadem o tempo livre dos educadores.
Cobrança por diálogo com a gestão municipal
Os profissionais da educação alegam um cenário de forte distanciamento por parte do Executivo. De acordo com o sindicato, a última vez que a categoria foi recebida oficialmente pela Semed ocorreu em agosto de 2023. Apesar da entrega de múltiplos ofícios detalhando os gargalos da escola pública ao longo dos meses, os pedidos por reuniões seguiram sem resposta.
Durante o protesto, os manifestantes exigiram a reabertura imediata de um canal de diálogo com a secretária municipal de Educação, Anna Caroline Salgado, e com a prefeita de São Luís, Esmênia Miranda — que é professora de formação e assumiu o comando do município recentemente após a renúncia de Eduardo Braide.
A categoria decidiu manter a concentração em frente à Semed até que uma comissão sindical seja recebida formalmente pelas autoridades municipais, buscando debater soluções concretas e conjuntas para a estruturação da educação pública maranhense.

