Dino sai em defesa de Toffoli: “um negócio dele lá com um fundo de R$ 16 milhões é o problema do país?”

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O relato do site Poder 360 sobre a reunião reservada da última quinta-feira 12 escancarou a tensão no Supremo Tribunal Federal em torno da relatoria do caso Banco Master. O encontro foi convocado após a Polícia Federal mencionar o nome de Dias Toffoli em relatório que o relaciona ao banqueiro Daniel Vorcaro. O que era uma discussão interna virou crise aberta.

Entre as falas reveladas, chamou atenção a de Flávio Dino. Ex-governador do Maranhão, ele adotou tom duro contra a Polícia Federal e saiu em defesa explícita de Toffoli.

Segundo o Poder 360, Dino atacou o relatório apresentado pela PF ao presidente da Corte, Edson Fachin, o que motivou a reunião e a saída de Toffoli da relatoria. “Essas 200 páginas para mim são um lixo jurídico. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente. Em 2035, se Deus me der saúde, eu quero estar nesta cadeira. E esta cadeira tem bônus e ônus. Eu acho que não adianta pensar nesta cadeira só nos bônus. Eu acho, sr. presidente, que o sr. deveria ter resolvido isso dentro da institucionalidade da presidência”.

Para Dino, o presidente do STF deveria ter resolvido o impasse de forma administrativa. Ele defendeu que a suspeição de ministros só cabe em situações extremas, como “pedofilia, e se tiver prova, e de estupro, e se tiver prova”. E arrematou “E qualquer outro pedido de arguição eu sou STF futebol clube”.

“Presidente, acho que o sr. teria de resolver isso sozinho. E acabar com isso”, afirmou o ministro. Ele rejeitou levar a arguição a julgamento “porque não é disso que se trata”. “Isso aqui é um lixo jurídico. Esse problema é político. O ministro pegou uma causa bilionária de R$ 55 bilhões e um negócio dele lá com um fundo de R$ 16 milhões é o problema do país? É óbvio que esse não é o problema do país. Isso é para encobrir os interesses dos grandes empresários”, defendeu.

Dino revelou também conversa prévia com o colega. “Eu já disse para o meu amigo e irmão Dias Toffoli: veja que já tem maioria. Mas não vai ser unânime. Mas o ministro Dias Toffoli tem voto para continuar. Eu acho, sr. presidente, que o ideal seria resolver isso administrativamente, numa nota, em que os 10 ministros assinassem, dizendo que apoiam o ministro Dias Toffoli, que não há suspeição nem impedimento”.

Durante o debate, Cristiano Zanin ponderou que “reconhecer a suspeição” poderia levar a “tudo o que foi feito de coleta de provas até agora ser declarado nulo”.

Ainda segundo o relato do site, Dino sugeriu a divulgação de uma nota afirmando que a Polícia Federal não teria competência administrativa ou jurisdicional no caso e classificou o procedimento como “investigação clandestina e ilegal”, por não ter sido autorizado pelo presidente do Tribunal, como exige a Lei Orgânica da Magistratura. Mesmo assim, indicou que, após a manifestação de apoio, “o ministro Dias Toffoli num gesto de grandeza e em defesa da institucionalidade, tendo em vista o apoio recebido, encaminhará o caso para redistribuição”.

A exposição das falas agravou o clima interno. Ministros passaram a suspeitar da existência de gravação clandestina da reunião e, diante de vazamentos considerados favoráveis a Toffoli, a desconfiança se espalhou. Segundo a imprensa nacional, Dino foi o mais irritado com a repercussão.

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