Mãe relata desafios vividos na UTI neonatal durante internação da filha prematura extrema.
O Dia das Mães ganha um significado ainda mais intenso para mulheres que acompanham os filhos dentro de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Entre aparelhos, exames e incertezas, mães transformam medo em força para lutar diariamente pela vida dos filhos.
Em entrevista ao Portal Difusora News, Marcelene Sá relembrou os momentos mais difíceis vividos no nascimento da filha, Aurilene Samylle, que nasceu prematura extrema e, além disso, classificada como PIG (pequena para a idade gestacional), precisando permanecer por dois meses e 15 dias na UTI neonatal.
Mãe de três filhos, Marcelene conta que já sabia que a terceira gestação seria delicada. Durante a gravidez, desenvolveu pressão alta e precisou ser internada várias vezes. Com 29 semanas e cinco dias de gestação, os médicos identificaram que a bebê não estava mais se desenvolvendo adequadamente.
Aurilene nasceu pesando apenas 860 gramas e medindo 32 centímetros.
“Eu sabia dos riscos que a minha filha estava correndo e que ela poderia não sobreviver, porque era muito pequenininha”, relatou a mãe.
Logo após o parto, a recém-nascida foi encaminhada para a UTI neonatal, onde enfrentou complicações graves, como distensão abdominal e enterocolite necrosante, doença que pode comprometer o intestino de bebês prematuros.
Marcelene relembra que os dias na unidade hospitalar foram marcados pelo medo constante e pela insegurança diante da situação da filha.
“Aquela zoada dos aparelhos apitando, o medo da saturação cair e dela ter uma parada cardiorrespiratória… Aquilo ali é sufocante, agoniante”, disse.
Segundo ela, a fé e a confiança na medicina foram fundamentais para suportar o período de internação. A mãe adotou o método canguru, prática baseada no contato pele a pele entre mãe e bebê prematuro, permanecendo horas com a filha no colo todos os dias.
“Eu cantava para ela, conversava, orava. Eu sentia que ela sabia que eu estava ali”, contou.
Aurilene Samylle passou 29 dias entubada e apresentou uma recuperação considerada positiva pela equipe médica. Para Marcelene, cada pequena reação da filha representava uma nova esperança.
“Era ela quem me dava força. Quando eu chegava e via que ela reagia ao meu toque e à minha voz, aquilo me fazia continuar”, afirmou.
A experiência também deixou marcas emocionais profundas. A mãe relata que ainda enfrenta traumas causados pelo período vivido na UTI neonatal.
“Até hoje eu não consigo ouvir bipes sem passar mal. Meu coração acelera porque parece que eu estou vivendo tudo de novo”, revelou.
Apesar das dificuldades, Marcelene afirma que a experiência mudou completamente sua visão sobre maternidade.
“Eu digo que aprendi a ser mãe depois da Aurilene Samylle. Aprendi a cuidar, a amamentar, a entender realmente o que é ser mãe”, disse.
Hoje, com um ano e seis meses, Aurilene Samylle surpreende a família pelo desenvolvimento. A criança anda, brinca, tenta fazer tudo sozinha e, segundo a mãe, se tornou símbolo de superação para todos que acompanharam sua história.
“Ela é um milagre. Minha filha é um exemplo de força e coragem”, declarou Marcelene.
Neste Dia das Mães, a história de Marcelene Sá representa a realidade de milhares de mulheres que trocam o conforto de casa pelos corredores de hospitais, enfrentando o medo e a incerteza para acompanhar a recuperação dos filhos. Entre aparelhos, exames e longas horas de espera, elas descobrem uma maternidade marcada pela resistência, pela fé e pelo amor incondicional.

