Comprovantes apontariam repasses de recursos da Associação de Prefeitos da Região Tocantina a comunicador que, segundo denúncias, integraria grupo responsável por ataques pessoais contra profissionais de imprensa
Uma investigação envolvendo a Associação de Prefeitos da Região Tocantina (AMIRTS) começa a levantar questionamentos sobre a utilização de recursos da entidade para pagamentos que, segundo denúncias encaminhadas à reportagem, teriam como finalidade manter ativo um suposto grupo de comunicadores utilizado para promover ataques pessoais contra jornalistas que publicassem denúncias ou críticas relacionadas a administrações municipais da região.
Entre os documentos obtidos pela reportagem está um comprovante de pagamento realizado em nome da AMIRTS, no valor de R$ 1 mil, que teria como destinatário um dos comunicadores apontados como integrante do suposto grupo.

A documentação poderá ajudar a esclarecer se recursos da associação de prefeitos foram utilizados para financiar atividades de comunicação que extrapolariam a divulgação institucional dos municípios associados.
Segundo as informações recebidas pela reportagem, o grupo seria formado por supostos blogueiros e comunicadores que atuariam de maneira coordenada nas redes sociais, especialmente quando jornalistas ou veículos de comunicação publicassem informações consideradas negativas para determinadas administrações municipais.
A denúncia sustenta que os ataques teriam como alvo não apenas o conteúdo das reportagens, mas também a honra e a reputação dos jornalistas responsáveis pelas publicações, além da criação de falsos perfis em redes sócias e aplicativos de troca de mensagens.
A existência de pagamentos realizados pela AMIRTS a integrantes apontados nas denúncias é justamente um dos pontos que deverá ser esclarecido pelas autoridades.
O presidente da Associação, prefeito Bartolomeu Alves, também é citado nas denúncias como peça chave do suposto esquema, segundo um dos denunciantes, ele teria conhecimento e participação direta nas direções das ordens de ataques e autorizações de pagamentos na estrutura apontada pelos denunciantes.
As informações recebidas pela reportagem apontam ainda que supostos pedidos de prefeitos da região poderiam estar relacionados à atuação desse grupo.
Entre os nomes mencionados está o prefeito de Amarante do Maranhão, Vanderly Miranda, que, segundo as informações encaminhadas à reportagem, já teria sido citado em apurações do Ministério Público relacionadas ao caso.

Um outro nome mencionado nas denúncias é o de Romário Machado, atual diretor da Associação.
Segundo um dos relatos obtidos pela reportagem, um dos próprios integrantes apontados como pertencentes ao suposto grupo teria acusado Romário Machado de realizar pagamentos utilizando recursos provenientes do fundo da própria associação.

A acusação é grave e, justamente por isso, necessita de investigação independente para determinar quem autorizou os pagamentos, qual era a finalidade dos repasses, quem recebeu os valores e se os recursos utilizados pertenciam efetivamente à AMIRTS.
As informações apuradas indicam que o conjunto de documentos e denúncias deverá ser encaminhado ao Ministério Público do Estado do Maranhão, para que seja analisada a eventual existência de uma estrutura organizada destinada a ataques coordenados contra profissionais de imprensa.
A redação tentou contato com os envolvidos para que apresentassem suas versões sobre os fatos e esclarecessem a origem e a finalidade dos pagamentos mencionados.
Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

